Os Dispositivos intrauterinos, mais conhecidos como DIUs, são contraceptivos reversíveis de longa duração (LARCs). Eles apresentam altas taxas de eficácia, com uma taxa de falha de 0,8% no caso dos DIU não hormonal e de 0,2% no caso dos DIUs hormonais.
E o que diferencia uns dos outros?
Bom, inicialmente classificamos como DIUs com hormônio ou sem hormônios.
DIUs Não Hormonais
Os DIUs não hormonais podem ser o DIU de cobre ou o DIU de cobre com prata. Não liberam nenhum hormônio e sua ação ocorre através de uma reação que o cobre cria dentro do útero, modificando principalmente o muco cervical, ou seja, o conteúdo que fica ao redor do colo do útero, impossibilitando que os espermatozóides passem e adentrem o útero, impedindo assim a fecundação.
- Eles podem durar entre 3 a 10 anos a depender do modelo, e são ótimas opções para mulheres que não desejem ou não possam fazer uso de nenhum tipo de hormônio.
- Sua eficácia é elevada, a chance de uma usuária de DIU de cobre engravidar no período de 1 ano é de 0,8%.
- Dentre os possíveis efeitos colaterais após a inserção está o aumento do volume de sangue durante a menstruação, assim como um aumento da cólica menstrual. Não são todas as mulheres que usam que apresentam esses efeitos, porém é importante estar alerta sobre essa possibilidade no caso de já apresentar um fluxo menstrual alto ou muita cólica.
DIUs Hormonais
Os DIUS hormonais disponíveis no Brasil são o Mirena e Kyleena. Eles agem pela liberação de um hormônio chamado levonorgestrel dentro do útero. Assim como DIU de cobre têm ação no muco cervical, mas além disso diminuem a contratilidade da musculatura do útero, a mobilidade das tubas uterinas e também agem no endométrio.
- O endométrio é a camada mais interna do útero, que ao final do ciclo menstrual se “desprende” do útero e sai em forma de sangue, é o que chamamos de menstruação. O levonorgestrel deixa essa camada bem fina, o que faz com que muitas pacientes ou não apresentem menstruação ou apresentem um fluxo menstrual mais baixo do que costumavam apresentar.
- Além disso, como há uma diminuição da contratilidade do músculo do útero (o miométrio) também é normal acontecer uma redução das cólicas.
- A duração de ambos é de 5 anos, porém nos EUA o Mirena já apresenta liberação para uso como contraceptivo por até 8 anos, mas esta alteração ainda não chegou na bula do Brasil, por isso a orientação é de que a troca seja feita com 5 anos.
- O principal efeito adverso é um sangramento não programado geralmente nos primeiros meses após a inserção. Após a inserção é normal que haja um período de adaptação do organismo, que geralmente dura entre 6 e 12 meses, onde podem acontecer sangramentos irregulares e “escapes” que é aquele sangramento pequeno, amarronzado. Geralmente estes sangramentos são em pequeno volume mas podem se prolongar por alguns dias, mas também podem reduzidos com algumas medicações a depender do caso.
Diferenças entre DIU Mirena e Kyleena
- Tamanho: o Kyleena é menor do que o Mirena, o que pode diminuir o desconforto no momento da inserção.
- Quantidade de hormônio: o Mirena apresenta um total de 52 mg de levonorgestrel, já o Kyleena apresenta 19,5 mg, sendo que o Mirena libera mais hormônio diariamente que o Kyleena.
A quantidade de hormônio é o que impacta tanto na indicação de uso como em possíveis efeitos colaterais. Com uma maior quantidade de hormônio, o Mirena além de contraceptivo também é usado no tratamento de algumas doenças, como a endometriose e a adenomiose. Apresenta um maior controle de sangramento e um maior percentual de pacientes que ficam sem sangrar completamente (ou em amenorreia). Porém, pode sim apresentar um pouco mais de efeitos colaterais em relação ao Kyleena, como por exemplo uma maior chance de aumento de oleosidade/acne.
Tanto os DIUs hormonais como os não hormonais podem ser usados em pacientes com história prévia de trombose, e mesmo os DIUs hormonais não causam aumento de risco para trombose. Cada mulher é única e encontrará prós e contras ao escolher ter um DIU como método, para isso é importante entender os benefícios de cada um e os possíveis efeitos colaterais e pesar na balança, juntamente com auxílio médico, de qual provavelmente será o mais adequado para cada uma.
Lembrando que os DIUs apresentam o tempo de duração máximo, porém podem ser retirados antes deste tempo se assim a paciente desejar; além disso, nenhum deles causa diminuição de fertilidade, e logo após a retirada a paciente já pode engravidar.