Dra. Flávia Lima | Ginecologia e Mastologia

O que você precisa saber antes da inserção do DIU

O DIUs são métodos contraceptivos de longa duração (LARCs) altamente eficazes na prevenção de uma gestação e têm sido cada vez mais procurado por mulheres que desejam um bom método, que dure por muito tempo e que não precise de lembrança constante de seu uso para se manter eficaz.

No entanto, um dos grandes empecilhos na hora de escolhê-los é o receio em relação à inserção, sendo o maior medo em relação à dor da inserção e também aos riscos de infecções.

Em relação às infecções após a inserção de DIU, estudos mais antigos, realizados principalmente nas décadas de 70 e 80, mostravam uma associação maior entre o uso de DIU e infecção pélvica. No entanto, esses estudos frequentemente incluíam mulheres com múltiplos parceiros sexuais e/ou histórico de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) não tratadas, o que provavelmente influenciou os resultados. Estudos mais recentes mostram que o risco de infecção pélvica associado ao DIU é baixo, especialmente após as primeiras 3 semanas após a inserção.

Algo importantíssimo antes da inserção é um exame físico minucioso para pesquisa de infecções não diagnosticadas. Além disso, considerar a pesquisa de ISTs pela avaliação da secreção do colo uterino, como a Chlamydia sp, que muitas vezes não causa sintomas e deve ser tratada se identificada.

Em relação à dor, vários fatores podem influenciar: desde o tamanho do DIU escolhido, se a paciente já teve partos anteriores e, principalmente, a relação subjetiva que cada pessoa tem com a dor. Sabemos que dor é algo que envolve muitos mecanismos fisiológicos e realmente algumas pessoas são naturalmente mais sensíveis à dor do que outras.

A inserção do DIU é, na maioria das vezes, tranquila e pode ser realizada no consultório. Existem diversas estratégias para diminuir a dor na hora da inserção, como:

  • Uso de anti-inflamatórios e analgésicos cerca de 30 minutos antes da inserção;
  • Uso de cremes vaginais contendo anestésicos prévios à inserção;
  • Anestesia local do colo (igual à de dentista!), esta última sendo uma das melhores modalidades para controle de dor.

Essas estratégias podem ser associadas entre elas, a depender de cada caso, tornando a experiência de inserção do DIU menos incômoda. Não menos importante é estar com um profissional experiente, que traga confiança durante o procedimento e esclareça as etapas da inserção.

No dia da inserção e até cerca de 2 dias após, é normal sentir uma cólica leve, que geralmente é bem controlada com analgésicos e/ou uso de compressas quentes. Dores de grandes proporções merecem atenção para o risco de uma complicação rara, mas que deve ser investigada: a perfuração uterina. Nestes casos, o ideal é procurar um pronto-socorro para ser examinada e, preferencialmente, realizar um exame de imagem, como ultrassom, para avaliar o posicionamento.

A perfuração uterina é um evento raro, variando entre 0,05% a 0,13% das inserções, mas deve sempre ser pesquisada nos casos de dores muito intensas pós-inserção.

Ainda que, na maioria dos casos, haja um bom controle da dor com estes métodos citados, em alguns casos particulares há a possibilidade de inserção no centro cirúrgico sob sedação. Isso pode ser muito vantajoso nos casos de pacientes que, por exemplo:

  • Apresentam o colo do útero com estenose de canal cervical (a entrada do útero encontra-se muito mais fechada do que o habitual e necessita de dilatação);
  • Passaram por múltiplas tentativas prévias de inserção sem sucesso;
  • Precisam realizar outros procedimentos durante a inserção, como histeroscopia;
  • Optam por este método por preferência pessoal.

Nestes casos, deve-se atentar para a necessidade de internação, risco anestésico e aumento dos custos.

Sobre a necessidade de a inserção ser sempre no período menstrual, sabe-se que o DIU pode sim ser inserido sem que a paciente esteja menstruada, desde que haja certeza de que ela não está gestante. Para as pacientes que não estão em uso de métodos de forma adequada, é necessário:

  • Saber a data da última menstruação;
  • Conhecer a data da última relação sexual;
  • Realizar um teste de gravidez, se indicado.

Porém, em muitos casos, a inserção durante o período menstrual acaba sendo mais fácil devido a uma leve dilatação fisiológica do colo do útero nesse período.

Mensagem final: O medo em relação à inserção, a necessidade de ser apenas no período menstrual ou o aumento do risco de infecções não devem ser um empecilho na hora de escolher um método adequado. Desde que esteja com um profissional capacitado para orientar, avaliar infecções prévias, aplicar métodos de analgesia na inserção e discutir individualmente casos que possam se beneficiar da inserção no centro cirúrgico, o DIU pode ser uma excelente escolha contraceptiva.